Autarca de Castanheira de Pera admite dificuldades na limpeza da floresta

Em declarações à jornalista Estela Machado, na rubrica Objetiva do programa Juca, o presidente da Câmara de Castanheira de Pera, António Henriques, admitiu que pode não ser possível concluir os trabalhos antes do verão, aumentando o risco de incêndios.
Redação
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Mariana Moniz
Mariana Moniz Jornalista
10 abr. 2026, 12:35

A poucos meses da época crítica de incêndios, a recuperação do território após as tempestades continua longe de estar concluída. O alerta é do presidente da Câmara de Castanheira de Pera, António Henriques, que admite dificuldades em cumprir prazos essenciais.

Em declarações à jornalista Estela Machado, na rubrica Objetiva do programa Juca, o autarca considerou a visita do Presidente da República “um sinal muito importante”, sublinhando a relevância de o chefe de Estado ir ao terreno “perceber a dimensão dos danos” ainda visíveis na região.

A deslocação serviu também para a Comunidade Intermunicipal de Leiria apresentar propostas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com o objetivo de canalizar apoios para necessidades concretas do território, nomeadamente na habitação, na economia e na floresta.

É precisamente na floresta que se concentram as maiores preocupações. Num território marcado pelos incêndios de 2017 e recentemente afetado por tempestades, a acumulação de material combustível e os danos na rede florestal aumentam o risco numa altura em que as temperaturas já se aproximam de valores de verão. “Existe uma preocupação neste momento porque a carga de combustível que temos na floresta é bastante grande”, alertou.

5,5 milhões de euros

O trabalho de desobstrução dos caminhos florestais está em curso, mas a dimensão da intervenção levanta dúvidas quanto à sua conclusão em tempo útil. “Não podemos garantir que vamos conseguir fazer esse trabalho todo até ao verão”, admitiu, sublinhando que são “muitos quilómetros para desobstruir e muitos hectares de floresta danificada”.

A dificuldade é agravada pela falta de meios e pela complexidade da intervenção em áreas privadas. “Não é possível fazermos este trabalho sozinhos”, afirmou, apontando para a necessidade de articulação com várias entidades e para os limites da ação municipal.

Além da floresta, os efeitos das tempestades continuam a marcar o concelho. Castanheira de Pera contabiliza cerca de 5,5 milhões de euros em prejuízos, incluindo cerca de 350 habitações afetadas e danos em infraestruturas como os açudes da Ribeira de Pera.

Num território onde a memória dos incêndios permanece presente, o desafio passa agora por acelerar a recuperação e reduzir o risco, num verão que pode chegar antes do tempo e para o qual ainda não há garantias.

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