Tapete de flores com um quilómetro une comunidade à Casa de Mateus na Pascoela

A comunidade de Mateus, em Vila Real, une-se para construir um tapete de flores com cerca de um quilómetro, por onde vai passar a procissão da Nossa Senhora dos Prazeres. A iniciativa, integrada na programação deste ano da Casa de Mateus, destaca a tradição e marca o arranque de um calendário cultural que inclui o regresso da festa das vindimas.
Agência Lusa
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10 abr. 2026, 15:22

A comunidade une-se para construir um tapete de flores de um quilómetro em Mateus, Vila Real, para a procissão de domingo, iniciativa inserida na programação 2026 da Casa de Mateus, que inclui ainda a festa das vindimas.

No domingo, em que se assinala a Pascoela, a comunidade daquela freguesia às portas da cidade de Vila Real celebra a Nossa Senhora dos Prazeres, padroeira da Casa de Mateus.

Depois da missa na capela do Palácio de Mateus, monumento nacional desde 1910, a procissão segue por um tapete de flores que tem cerca de um quilómetro de extensão e resulta de uma “união de esforços” entre moradores, voluntários e a instituição.

Ana Maria, moradora na Rua das Flores, disse esta sexta-feira à agência Lusa que os últimos dias têm sido de trabalho intenso e de recolha, pelas matas, de verdura como folhas e ramos, e ainda pinhas e bugalhos.

Durante a manhã andaram a apanhar flores de todo o tipo e, esta tarde, começa a ser construído o tapete no interior do Palácio de Mateus.

O trabalho na Rua das Flores começa no sábado de manhã e vai envolvendo, a cada ano que passa, mais pessoas e atrai, também, mais visitantes.

“Temos feito um trabalho bonito e agradável de fazer, porque as pessoas juntam-se e, ao mesmo que trabalham, podem conviver e fazer coisas que nunca fizeram”, salientou Ana Maria, que realçou que a iniciativa junta a comunidade à Casa de Mateus.

Com quase três séculos, esta tradição remonta à construção da capela do palácio. Depois de um interregno, a construção do tapete das flores foi retomada em 2010.

E, segundo Teresa Albuquerque, diretora delegada da Fundação da Casa de Mateus, desde 2023 que se começou a fazer o tapete de flores na entrada da capela “trazendo a festa para dentro da Casa” que estará de portas abertas a toda a comunidade, uma iniciativa que assinala também a primavera.

A Fundação da Casa de Mateus apresentou também esta sexta-feira a programação que preparou para 2026, que inclui cerca de 60 eventos, como a missa de domingo, que será presidida pelo bispo de Vila Real, António Augusto Azevedo, a procissão, música erudita, a banda de música de Mateus e bombos.

Inclui também concertos, artes visuais, exposições, teatro e o retomar da tradição da festa das vindimas.

“A grande novidade será talvez a festa das vindimas que pretendemos que venha a ser também um evento recorrente e estruturante da nossa programação”, afirmou Teresa Albuquerque.

A festa acontece em outubro, numa altura em que estarão a terminar as vindimas na Região Demarcada do Douro, e recupera o “espírito” de uma tradição antiga, em que se oferecia “o ramo” à Casa de Mateus, rodeada de oito hectares de vinha.

Teresa Albuquerque realçou que se pretende recuperar o “espírito festivo do final das vindimas” e “potenciar” uma tradição das quintas do Douro.

Este será também um momento para celebrar os 25 anos da classificação do Douro como Património Mundial da UNESCO, galardão a 14 de dezembro de 2001, e de inaugurar a praça da Adega, um novo espaço da propriedade.

A festa das vindimas dura três dias e inclui um arraial pelo coletivo Drumming Grupo de Percussão, que vai estrear uma nova obra concebida para cubas e tonéis aproveitando o ambiente da adega da Casa de Mateus.

Ao longo do ano, pela Casa de Mateus vão passar nomes como Paulo Vaz de Carvalho, Mário Laginha, Miquel Bernat, António Carrilho, Luanda Siqueira e Fábio Biondi.

A programação inclui a 34.ª edição dos Encontros Internacionais de Música, residências artísticas, oficinas no âmbito da ação educativa da instituição e ainda a iniciativa “Cogumelos, Castanhas e Poemas”, a realizar em outubro, que integra uma recolha de cogumelos, a inauguração da exposição “Reescrever a natureza/atravessar a paisagem” e o concerto ‘Margens”, pelo Borealis Ensemble.

A programação conta com financiamento da Direção-Geral das Artes (DGARTES) e o apoio da Câmara de Vila Real.

O Palácio de Mateus, finalizado em 1744, é também a principal atração turística de Vila Real.