APA aponta resíduos, riscos ambientais e qualidade do ar como desafios até 2030
O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado, elegeu hoje os resíduos, os riscos ambientais e a qualidade do ar como grandes desafios que Portugal tem de enfrentar até 2030 na área ambiental.
O responsável falava hoje na apresentação do documento “Visão Ambiente 2030: Desafios e Oportunidades”, um complemento do Relatório do Estado do Ambiente (sobre 2025) em forma de livro, que integra 24 artigos de opinião de outros tantos especialistas, sobre temas como o ar ou o clima, o solo ou a água, o mar, a energia, os transportes ou os resíduos.
Na sessão da apresentação do documento, a decorrer hoje no Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Pimenta Machado fez um balanço de evoluções positivas no país, em áreas como os resíduos, água, ou energia, e destacou que no último trimestre Portugal foi o terceiro país europeu com maior incorporação de energia renovável na produção de energia elétrica.
Em declarações à agência Lusa, Pimenta Machado recordou também o desafio dos resíduos, afirmando que em 2000 foi encerrada a última lixeira, que se criaram as infraestruturas para recolha e tratamento de resíduos, mas que nos últimos sete anos o país estagnou na recolha seletiva.
Hoje, lamentou, continua a enviar-se para aterro mais de 50% dos resíduos e os aterros estão a ficar cheios, pelo que os portugueses têm cinco anos para “mudar de vida”. É impossível fazer novos aterros, assegurou também.
“Temos de produzir menos resíduos, temos de separar mais em nossas casas”, disse, destacando a importância da separação dos biorresíduos, que representam entre 38 e 40% dos resíduos.
“É decisivo o que nós fazemos aos biorresíduos para melhorar os nossos indicadores e cumprir com as metas europeias”.
Além dos riscos ambientais, como as tempestades, outro desafio, disse, relaciona-se com o litoral, onde vive grande parte da população e onde 20% está em erosão, com ameaça de perda de território.
“Já perdemos para o mar 1.400 hectares, que não vamos recuperar”, disse, referindo que só com as tempestades deste ano, em vários locais, o mar avançou entre 20 e 30 metros.
Pimenta Machado lembrou que a APA está a desenvolver um plano, com ações urgentes, para estarem concluídas até à época balnear, e com outras para adaptar o litoral, para evitar a construção em áreas de risco e para o proteger, colocando areia nas praias.
Quanto à qualidade do ar, Pimenta Machado recordou que em 2030 entra em vigor uma nova diretiva europeia, que reduz para metade a quantidade admissível de partículas e dióxido de enxofre. “Temos quatro anos para nos prepararmos”.
A apresentação do livro “Visão Ambiente 2030: Desafios e Oportunidades” está a ser feita durante uma série de debates ao longo do dia sobre temas que vão das alterações climáticas à economia circular, transportes, ambiente marinho ou água.