Depois da tempestade, material combustível continua na floresta

A ministra do Ambiente e Energia admite preocupação com o material combustível que continua no solo das florestas após as tempestades, garantindo que a tutela prioriza este tema. A governante apelou ainda ao comportamento responsável das pessoas.
Agência Lusa
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14 abr. 2026, 12:20

“Este ano, o que nos preocupa muito é a quantidade de madeira que está no chão e por isso a nossa prioridade (…) é limpar a floresta o máximo possível, principalmente nas zonas afetadas pela tempestade Kristin para não haver material combustível”, disse Maria da Graça Carvalho aos jornalistas no Porto, à margem do XV Fórum dos Alunos de Engenharia do Ambiente.

Enumerando programas do Ministério da Agricultura e do Ministério da Administração Interna, a governante disse que ambos contam com a ajuda das tutelas da Defesa e do Ambiente e Energia, inclusive do ponto de vista do financiamento.

“Estamos a fazer o máximo possível para financiar a limpeza das florestas, para retirar material combustível, porque esperamos sempre um verão quente. Temos de ter muito cuidado. O comportamento individual também é muito importante. Não fazer fogueiras, não acender cigarros, não fazer piqueniques, não utilizar material que faça faísca de máquinas nos dias de grande calor”, disse.

Também questionada sobre o alerta conhecido hoje de quatro organizações para a existência de mais de 600 mil pessoas em pobreza energética severa, Maria da Graça Carvalho disse que o Governo teve já políticas muito agressivas de combate à pobreza energética.

“Fomos até elogiados pela Comissão Europeia como o país que melhor utilizou o PRR na luta contra a pobreza energética. Portugal diminuiu de cerca de 20% para 15% a pobreza energética, mas os 15% ainda é muito. O Fundo Social do Clima tem exatamente apoio à eletrificação e ao conforto térmico em casa e ao transporte público e ao transporte individual elétrico. No âmbito do Fundo Ambiental temos previsto continuar a apoiar”, disse.

Lembrando as consequências das tempestades, a ministra do Ambiente recordou que este ano a luta contra a pobreza energética terá de dividir atenções.

“Agora temos de acudir com o fundamental as obras das intempéries que são muito urgentes”, disse.

Hoje, em comunicado, quatro organizações, envolvidas no combate à pobreza energética (cooperativa Coopérnico, GEOTA, EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza e Zero), com investigadores universitários, estimaram que existam entre 1,8 e três milhões de pessoas em situação de pobreza energética, das quais mais de 600 mil em situação severa, com privação energética profunda, “com impactos diretos na saúde, no conforto e na dignidade das pessoas”.

Segundo as organizações, falhas nos programas de eficiência energética “agravam frustrações das famílias”, pelo que deveria haver programas de apoio que respondessem às necessidades reais das habitações, como isolamento térmico e substituição de janelas e portas, em detrimento de soluções centradas apenas na climatização.

Importante também era reforçar a capacidade de resposta das entidades responsáveis, garantindo recursos humanos qualificados e suficientes.