Sem equipamentos e com ratos na cozinha. Sindicato denuncia cenário nas cantinas escolares no Porto

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria e Similares do Norte denunciou, em frente à Escola EB 2,3 Manoel de Oliveira, no Porto, a falta de condições de funcionamento da cantina escolar. Um cenário que se estende a outras escolas da cidade.
Agência Lusa
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14 abr. 2026, 10:49

Em conferência de imprensa, a dirigente sindical do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria e Similares do Norte, Carina Castro, afirmou que na escola EB 2,3 Manoel de Oliveira “o fogão estava a avariado e em muito mau estado há muito tempo, a Câmara decidiu a sua substituição, as refeições estiveram a ser confecionadas durante duas semanas noutra escola, vieram as férias da Páscoa, hoje retomaram a confeção sem fogão novo e sem as mínimas condições”.

“Temos algumas queixas de trabalhadores por falta de condições de trabalho, por equipamentos avariados ou por falta de equipamentos. Algumas situações já se arrastam há algum tempo e, portanto, estamos a fazer esse levantamento para poder interceder junto da Câmara Municipal do Porto”, disse.

Em relação à EB 2,3 Manoel de Oliveira, “recebemos uma denúncia da cozinheira desta escola e, por isso, decidimos estar aqui hoje à porta da escola”.

Em declarações à Lusa, a funcionária Florinda Mendes, responsável pela confeção das refeições, contou que não tem fogão para cozinhar e confirmou a falta de condições na cozinha, nomeadamente a existência de ratos.

“O que se passa foi que em março tivemos uma praga de ratos, quando demos conta do problema avisámos a escola, avisámos a câmara e, realmente, entrou a desratização. Fomos proibidos de cozinhar aqui dentro. Durante duas semanas estivemos a fazer confeção em duas escolas distintas, uma semana numa e outra semana noutra, e a transportar as refeições para aqui”, disse Florinda Mendes.

No regresso às aulas, na segunda-feira, após férias da Páscoa, “verificámos que o fogão que estava podre já não existia, mas também não existia um fogão novo, que nos permitisse trabalhar”, acrescentou.

“Por exemplo, hoje o almoço é rancho, temos grão de bico para cozer e as respetivas carnes, hortaliça, massa e batata, com um monolume e uma (panela) basculante. Temos 300 e tal refeições para servir. Como é que se consegue trabalhar nestas condições?”, lamentou a cozinheira.

Além da refeição principal, “há ainda uma série de restrições alimentares que temos de cumprir, como por exemplo, as vegetarianas. Eu avisei que se no dia 13 [segunda-feira] chegasse aqui e não tivesse fogão, chamava o sindicato e a comunicação social”, acrescentou.

O sindicato está a fazer “um levantamento dos problemas junto de todas as escolas" para entregar na Câmara Municipal do Porto.

Câmara do Porto já reagiu

O presidente da Câmara do Porto disse hoje só conhecer um caso de más condições em cantinas escolares, na EB 2/3 Manoel de Oliveira, que foi solucionado de imediato, após denúncias de um sindicato.

“Tivemos conhecimento de um caso em particular, não mais do que isso, na Escola Manoel de Oliveira, em que foi detetado, em março, vestígios de poder haver um problema dessa natureza. Nessa mesma manhã foi intervencionado, foram tomadas todas as medidas de precaução da segurança alimentar no momento, o que levou a que as refeições, enquanto não tivéssemos a garantia de que estava absolutamente concluído o processo de desinfeção dessa cantina, que as refeições fossem confecionadas noutras escolas”, notou o autarca, após uma reunião privada do executivo municipal.

Segundo Pedro Duarte, há “um pequeno problema” que tem a ver com um fogão, a ser substituído nos próximos dias, e hoje, nessa escola, está “completamente resolvido todo o problema”.

O presidente negou que a câmara tenha conhecimento de mais casos, e em resposta escrita enviada à Lusa, que questionou a autarquia sobre quantas situações conhece, a autarquia notou as ações de “regularização e normalização do serviço” naquela escola básica.